Estratégias de diferenciação e apropriação da quase-renda na agricultura: a produção em pequena escala

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Tese de Livre Docente – 2008
Autora: Maria Sylvia Macchione Saes
Resumo: A questão que norteia esse trabalho é se existem estratégias factíveis e sustentáveis que possibilitem reverter a queda da renda agrícola dos produtores de pequena escala. Para respondê-la, a primeira parte desta tese aborda a literatura que discute como os empresários escolhem estratégias que criam e capturam valor, com o objetivo de apresentar um modelo de análise de diferenciação no segmento rural. São abordadas quatro diferentes linhas teóricas, a saber: (a) Análise de Posicionamento Estratégico (APE), que defende que as firmas obtêm vantagens competitivas sustentáveis (VCSs) ao criar barreiras à entrada (economias de escala, escopo e diferenciação) contra concorrentes efetivos e potenciais nos mercados consumidores; (b) Visão Baseada em Recursos (VBR), que argumenta que as empresas adquirem e mantêm VCSs, ao identificar, desenvolver e enfatizar seus recursos internos, de forma que seus competidores não possam imitá-las; (c) Economia dos Custos de Transação (ECT), que atribui a criação de valor à redução de custos de transação por meio de estruturas de governança que permitam melhor coordenação entre os agentes, ou que possibilitem explorar, mediante a redefinição de direitos de propriedade, atributos antes inexplorados dos bens; e (d) Teoria dos Lucros de Knight (TLK), que explica o surgimento de rendas a partir da capacidade subjetiva de julgamento do empreendedor em um mundo de incerteza e desequilíbrio. Observa-se que todas as quatro teorias apresentadas assumem uma visão parcial de como as firmas podem criar e capturar valor e defende-se a integração dessas abordagens como forma de prover um instrumental teórico que permita um melhor entendimento das VCSs. A partir do modelo proposto são examinadas quatro experiências estratégicas adotadas no sistema agroindustrial de café, divididas três categorias: (a) Interdependência conjunta, que apresenta o foco estratégico de criação de valor em exportação direta de café de boa qualidade da Cooperativa Regional de Cafeicultores Guaxupé (Cooxupé); (b) Interdependência seqüencial, que examina a estratégia de marca de café de qualidade da torrefadora illycaffè. (c) Interdependência recíproca, em que são analisados dois casos: a experiência dos produtores de Baturité e a dos de Poço Fundo, ambas com ações de produtores com vistas a agregar valor ao café a partir do mercado de cafés sustentáveis. Como resultado, observa-se que a estratégia que obteve maior resultado em termos de representatividade (número de produtores) é a com foco em escala e escopo na comercialização de cafés diferenciados. Outro achado interessante é que a relação entre o segmento rural e o setor à jusante está ocorrendo sob novos parâmetros, tanto no que diz respeito à qualidade da bebida como a questões de sustentabilidade. Tais parâmetros têm refletido em ganhos em termos de renda para o produtor. O mercado de cafés certificados como sustentáveis no mercado internacional produz o resultado de cartel, com incremento dos preços para os produtores. Por fim, a estratégia de criação de marca no segmento rural que apresenta maior possibilidade de apropriação de valor é também a de maior complexidade e os seus resultados ainda não estão consolidados no caso apresentado.

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